Tirando as medidas aos alfaiates de Hoi An, Vietname
|
|
Após passar pela capital Hanói e pela histórica Hué, reencontro uma temporária companheira de viagem e com ela vou às compras nos famosos alfaiates de Hoi An, uma pitoresca localidade no centro do Vietname. Depois de tanto tempo a viajar sozinho, ter companhia é uma mudança extremamente bem-vinda. |
Por Filipe Morato Gomes |
Qual o itinerário da volta ao mundo? |
Hanói é uma cidade encantadora. Cheia de carácter. Encontrei-a fervilhando de vida a cada esquina da zona velha, com pequeno comércio de toda a espécie, milhares de motoretas percorrendo nas ruas incessantemente, os passeios tomados de assalto por vendedores ambulantes e motorizadas estacionadas. Apesar da agitação, sentia-me confortável em Hanói. Mas estava já há bastante tempo no norte do Vietname, pelo que decidi prosseguir viagem para sul onde, após uma curta paragem em Hué - antiga cidade imperial -, rumaria sem delongas para a pitoresca povoação de Hoi An.
 |
| Fumando um cigarro numa rua de Hoi An, Vietname |
Estava eu de saída de Hanói quando recebi uma mensagem de correio electrónico de alguém meu conhecido. Era uma daquelas missivas colectivas, de certa forma impessoais mas simpáticas, dirigidas a grupos de amigos que se vão conhecendo mundo fora, contando o que se tem feito, por onde se tem andado, enfim, partilhando experiências da própria viagem. A remetente era Marie, uma dinamarquesa que tinha encontrado de supetão nas estepes da Mongólia, mais de dois meses e meio atrás. Agradável surpresa. Não tínhamos mantido contacto até à data, mas fiquei dessa forma a saber que ela estaria em Hoi An daí a dois dias. O meu próximo destino. Respondi à mensagem. E assim combinámos reencontrarmo-nos lá, para dois dedos de prosa ao sabor de umas rodadas de Tiger, excelente cerveja de produção singapurense.
Parti para Hoi An com grandes expectativas, pois é sentimento comum entre os viajantes independentes que Hoi An é uma das mais aprazíveis paragens em todo o litoral do Vietname. E mal cheguei, após uma curta mas bela jornada num autocarro sem graça, logo me apercebi dos motivos dessa afeição. Descobri uma povoação extremamente bonita, limpa e arejada, mantendo uma íntima ligação com o rio que a banha, com habitações térreas coloridas e bem cuidadas, flores nas ruas. Um lugar onde os peões ainda impõem algumas leis e a quantidade de veículos é notoriamente inferior ao que estou habituado. E um paraíso quem pretende renovar o seu guarda-roupa sem despender fortunas.
Hoi An é terra de alfaiates e sapateiros. Todos os viajantes vindos de Hoi An que encontrei até à data, sem excepção, tinham lá mandado fazer fatos completos, vestidos de noite, calças ou camisas, saias ou tops, sandálias ou botas. Modelos decalcados de volumosos catálogos com as mais conceituadas e dispendiosas marcas de criadores internacionais. Consumidores mais determinados traziam de casa recortes de revistas com os modelos pretendidos. E outros, com maior talento, desenhavam in loco, pelo próprio punho, os cortes desejados.
 |
| Os alfaiates em Hoi An são porta sim, porta sim |
Quanto a mim, não necessitava de roupa mais distinta. Nem tão pouco sou possuidor de abundante paciência para compras. Limitei-me, por isso, a acompanhar Marie em duas sessões de medidas e provas. Folheou dezenas de catálogos e revistas, escolheu os modelos para as saias pretendidas, definiu os tecidos e as cores, sujeitou-se a minuciosas medições e, por fim, despediu-se. No dia seguinte, compareceu à primeira prova. Uma vez detectadas pequenas imperfeições, os ajustes apenas demoraram cerca de uma hora. E a nova sessão de prova comprovou que tudo se encontrava conforme o seu desejo. Assim se adquirem duas novas peças de vestuário. E o mesmo acontece com calçado, fabricado à medida do pé do cliente, em 24 horas e por preços irrisórios.
Novas visitas a diferentes alfaiates à parte, durante a minha estadia em Hoi An estive quase sempre acompanhado por Marie. Ambos viajámos já por um longo período de tempo, ambos de forma solitária. E sabe bem ter um parceiro de viagem depois de tanto tempo na estrada. Para partilhar momentos simples como uma ida à praia. Para conversar sobre tudo e sobre nada durante os dias em que as chuvadas tropicais não dão tréguas. Ou para dividir uma garrafa de bom vinho tinto num jantar à beira-rio. Pequenos prazeres para os quais um companheiro é algo precioso.
{ 21.Nov.2004 - 11:48 - 02:40. Versão não editada do texto originalmente publicado no jornal Público }
:::
|
Qual a vossa opinião?
• Viajar: sozinho ou acompanhado?
|
 |
Mais vale só que mal acompanhado. Agora, se a companhia é cooperante e amiga, óptimo porque, na minha opinião, as experiências vividas acompanhado valem a dobrar.
Comentário à viagem enviado por Octávio em 22.NOV.2004 - 11:40
Viajar acompanhado proporciona a boleia para os sacos. Já me doem as costas!
Mas há outros encantamentos nas viagens partilhadas...
DS
Comentário à viagem enviado por Dario Silva em 23.NOV.2004 - 12:44
Acredito que viajar só é melhor, melhor ainda é a possibilidade de encontrar uma pessoa querida, ou conhecer alguém... creio que é bom sair só de casa ou com um amigo, mas durante a viagem, no destino é bom ter alguém, estar com alguém, rever alguém...
Comentário à viagem enviado por Luana em 24.NOV.2004 - 21:32
Julgo que viajar sozinho facilita imenso novos conhecimentos, damo-nos mais a conhecer, aos novos conhecimentos, talvez seja pela necessidade de conviver com alguém.
Mas viajar sozinho para mim apenas tem um se não, que não é durante a viajem, mas sim quando regressamos, pois existem tantos momentos, lugares que são inexplicáveis que contado ninguém compreende a totalidade a sua grandeza.
Apenas acompanhado será possivel depois recordar e relembrar momentos na sua total realidade.
Mas também gosto muito de ter recordações de lugares/momentos únicos como se fossem só meus.
Comentário à viagem enviado por Pedro Lérias em 26.NOV.2004 - 11:28
Depende do sítio, depende do tipo de viagem, e do espírito... Para já, todas as que fiz foi acompanhada, mas a vontade de viajar sozinha aparece cada vez mais! A ver se se concretiza. O que acontece muitas vezes, é encontrar momentos em que estamos sozinhos, mesmo quando viajamos com muita gente.
Comentário à viagem enviado por Gabriela em 15.DEZ.2004 - 12:08
|
|
|
Nota: com a renovação do design de Alma de Viajante, em 2006, foi desactivada a introdução automática de comentários à volta ao mundo, para evitar a publicação de spam nas crónicas de viagem. As mensagens podem ser enviadas por e-mail e serão colocadas neste travelogue, manualmente.
Obrigado a todos os que, ao longo dos tempos, enriqueceram esta volta ao mundo com as suas palavras.
|
:::
» Regressar ao topo da página
|